segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"Le cochon"


"Le cochon" 

(Trecho de 'O Cemitério de Praga', de Umberto Eco)


[...]
Só que, certa noite, o mais licencioso dos nossos colegas revelou ter descoberto no sótão, bem escondidos em um arquibanco pelo seu desavergonhadíssimo e dissoluto pai, alguns daqueles volumes que em Turim eram então chamados (em francês) de cochons, e, não ousando exibi-los sobre a mesa untuosa do Gambero d'Oro, decidiu emprestá-los alternadamente a cada um de nós, de modo que, quando chegou a minha vez, não pude recusar.

Assim, noite alta, folheei queles tomos, que deviam ser preciosos e caros, encadernados como eram em marroquim, nervuras na lombada e rótulo vermelho, corte em ouro, fleurons dourados nas pranchas e - alguns - aux armes. Intitulavam-se Une veillée de jeune fille ou Ah! monseigneur, si Thomas nous voyait!, e eu sentia calafrios ao folhear aquelas páginas e encontrar gravuras que me faziam derramar rios de suor, dos cabelos às bochechas e ao pescoço: mulheres de pouca idade levantando as saias para mostrar traseiros de ofuscante brancura, oferecidas ao ultraje de machos lascivos e tampouco sabia se me perturbavam mais aquelas rotundidades despudoradas ou o sorriso quase virginal da jovem, que virava impudicamente a cabeça para seu  direita de um macho de cabelos desgrenhados, que, enquanto isso, penetrava e beijava a deprofanador, com olhos maliciosos e um sorriso casto a lhe iluminar o rosto, emoldurado por cabelos corvinos dispostos em dois coques laterais, ou, bem mais terríveis, três mulheres em um divã que abriam as pernas, mostrando aquela que deveria ser a defesa natural do seu púbis virginal, uma oferecendo-a  à mãosavergonhada vizinha, e, da terceira, ignorando-lhe a virilha exposta, abria com a mão esquerda o decote levemente licencioso, puxando-lhe o corpete. Depois encontrei a curiosa caricatura de um abade de rosto verruguento que, visto de perto, mostrava-se composto de nus femininos e masculinos variadamente enroscados e penetrados por enormes membros viris, muitos dos quais pendiam enfileirados sobre a nuca, como que para formar, com seus testículos, uma espessa cabeleira que terminava em cachos graúdos.
[...]


domingo, 13 de janeiro de 2013

Amour - Rammstein


Amour

Rammstein
Die Liebe ist ein wildes Tier
Sie atmet dich, sie sucht nach dir
Nistet auf gebrochenem Herz
Und geht auf Jagd bei Kuss und Kerzen
Saugt sich fest an deinen Lippen
Gräbt sich dinge durch die Rippen
Lässt sich fallen, weiss wie Schnee
Erst wird es Heiss, dann Kalt, am Ende tut es weh

Amour Amour 
Alle wollen nur dich zähmen
Amour Amour
Am Ende
Gefangen zwischen deinen Zähnen

Die Liebe ist ein wildes Tier
Sie beißt und kratzt und tritt nach mir
Hält mich mit tausend Armen fest
Zerrt mich in ihr Liebesnest

Frisst mich auf mit Haut und Haaren
Und wirbt mich wieder aus nach Tag und Jahr
Lässt sich fallen, weich wie Schnee
Erst wird es Heiss, dann Kalt, am Ende tut es weh

Rammstein



Amor

O amor é um animal selvagem
Ele te respira ele te procura
Ele se aninha sob corações partidos
E vai à caça quando há beijos e velas
Ele chupa com força nos seu lábios
E cava túneis entre suas costelas
Ele cai suavemente como neve
Primeiro ele fica quente então frio por fim ele machuca

Amor Amor
Todos só querem te domar
Amor Amor
No final
Pego entre seus dentes

O amor é um animal selvagem
Ele morde e arranha e caminha em minha direção
Ele me segura com força com mil braços
E me arrasta para dentro de seu ninho de amor

Ele me devora completamente
E tenta me regurgitar depois de muitos anos
Ele cai suavemente como neve
Primeiro ele fica quente então frio por fim ele machuca

Rammstein

Engel - Rammstein


Engel

Wer zu Lebzeit gut auf Erden
wird nach dem Tod ein Engel werden
den Blick gen Himmel fragst du dann
warum man sie nicht sehen kann

Erst wenn die Wolken schlafen gehen
kann man uns am Himmel sehen
wir haben Angst und sind allein

Gott weiss, ich will nicht kein Engel sein

Sie leben hinterm Sonnenschein
getrennt von uns unendlich weit
sie müssen sich an Sterne krallen (ganz fest)
damit sie nicht vom Himmel fallen

Rammstein




                                  

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Versos - Augusto dos anjos


Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor na humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

Augusto dos Anjos


Versos - Augusto dos Anjos


Escarrar de um abismo noutro abismo,
Mandando ao Céu o fumo de um cigarro,
Há mais filosofia neste escarro
Do que em toda a moral do cristianismo!

Augusto dos Anjos


Divina Comédia - Dante (trecho)

Trecho de "Divina Comédia"


Ali, suspiros, queixas e lamentos
cruzavam-se pelo ar, na escuridão,
fazendo-me hesitar por uns momentos.

Línguas estranhas, gírias em profusão,
exclamações de dor, acentos de ira,
gritos, rangidos e bater de mão,
[...]

Vegetam como os sáurios indolentes;
eu os via desnudos, aguilhoados
por vespas e por moscas renitentes.

Tinham de sangue os rostos salpicados,
que lhe caía ao peito e aos pés também,
pasto, no chão, dos vermes enojados.

Dante


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Tempestade


A Tempestade


Será que eu sou capaz
De enfrentar o teu amor
Que me traz insegurança
E verdade demais?
Será que eu sou capaz?

Veja bem quem eu sou
Com teu amor eu quero que sintas dor
Eu quero ver-te em sangue e ser teu credor
Veja bem quem eu sou

Trouxe flores mortas pra ti
Quero rasgar-te e ver o sangue manchar
Toda a pureza que vem do teu olhar
Eu não sei mais sentir

Legião Urbana