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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015


Divertido


Jonny Augusto




Divertido é o modo pelo qual o seu sorriso compenetrou a minha mente

Bagunçou meus pensamentos

Atrasou os meus anseios

Ou adiantou os meus receios



Divertido é o sapateado de tua alma

Que relincha em escárnio ao meu saber

Pula, vibra, goza de mocidade

Sem ao menos perder o gingado



Divertido o brilho do teu olho

Sapeca e astuto 

Uma raposa maliciosa 

Que se esconde por tão vasta íris 



Divertido o timbre de tua voz

Que em tão desarmônica sinfonia 

Desafina e reafina sem perder a postura

Sempre altiva e vivaz



Divertido o teu jeito de ser

Que me faz rir por querer

E que por me querer rindo

Rendeu o meu ser




domingo, 27 de outubro de 2013

Houve um tempo feliz!
Um tempo que me permitia correr pelos campos Elísios 
Sem medo dos espinhos nos roseirais
Ou o vespeiro na macieira.

Um tempo em que os rouxinóis cantavam
Cantavam hinos, verdadeiras sinfonias
E as andorinhas, estas nunca voltavam
Já que nunca partiam.

Um tempo que cada noite
Cada luar
Bailavam estrelas cadentes
Numa eterna chuva dourada.

Houve um tempo feliz!
Eu era feliz
Mas a verdade surgiu em meios as minhas ilusões
Tão destruidora e tão libertadora.

Eu era feliz
Até deixar de ser cego!


 Jonny Augusto


Peço desculpas se o meu amor não foi o suficiente
Se o meu carinho não era bom
Peço desculpas por ter entrado em sua vida
Assim, sem jeito, sem força
Peço desculpas por não ter sido quem você quis
Nem como ou quando você queria
Peço desculpas por ter sido o inconveniente 
Aquele que não foi chamado e nem querido por todos
Peço desculpas por ter feridas incuráveis
E ser fraco ao te procurar
Peço desculpas por ter sonhado
Acho que a realidade não me satisfez
Peço desculpas por tudo isso
Pelo abraço, pelo beijo e pelas estrelas.


 Jonny Augusto


domingo, 6 de janeiro de 2013

O colecionador de corpos


O colecionador de corpos


Meu nome é Orion Turunem. Sou um advogado criminalista. O caso que vou relatar comprova como disse alguém, que a verdade, muitas vezes, é mais absurda que a ficção.
Era dezembro de 92, estávamos na sede de Sarajevo, quando recebemos um chamado urgente. Foi encontrado Arucard Hellsing, 32 anos, homossexual, abusando sexualmente de um homem morto, já em estado de decomposição.
O cara foi preso, claro, mas recusava a confessar qualquer coisa, permanecia inabalável. Até que por vontade própria começou a contar sua história: mãe bêbada, pai preso por latrocínio, irmã drogada e prostituta, perfeito caso de família disfuncional. Havia fugido aos treze anos, após um dos clientes da sua irmã molestá-lo sexualmente com uma barra de ferro e uma garrafa de vodka. Depois de ter nos dado todo o seu comovente histórico familiar, continuava evasivo a perguntas sobre o cadáver.
Ele ficou preso durante dois dias, até que, finalmente, teve coragem, ou melhor, vontade de contar quem era o indigente e porque estava tendo relações sexuais com o corpo desalmado.
- Não o chamem de indigente! – proclamava – Ele possui um nome, Rosevelt Homero, estudante de advocacia, meu primeiro e único amor. Nos encontrávamos todos os dias depois de suas aulas, até que ele conheceu a vadia da Sayuri Sakamoto, ela o roubou de mim. Eu tive que fazer a coisa mais prudente que pude pensar, consumi com a vaca dando-lhe um tiro entre os olhos. Finalmente retornei a persegui-lo com minhas juras de amor, mas infelizmente fui ignorado, por fim o sequestrei. Depois de algumas semanas meu amado morreu de um misto de tristeza e fome, mas eu não podia me livrar de tão tenro corpo, cujas feições ficaram cravadas em meu peito.
Quando o senhor Hellsing terminou o seu depoimento, um enorme sentimento de repulsa borbulhou em minhas veias. O rosto daquele demente pareceu se transformar perante os meus olhos, em algo obscuro, com feições que se assemelhavam a junção de um bode com um morcego, era algo amedrontador, uma criatura que povoaria meus sonhos por anos.
Não aguentei, tive que atirar nas suas fuças, o pervertido nem teve tempo de pensar. O julgamento que ele teria provavelmente o sentenciaria a prisão perpétua, como eu. Mas apesar dos constantes assédios, da total falta de higiene e da comida muitas vezes estragada, eu não me arrependo de ter descarregado o cartucho da minha 9mm na cabeça do desgraçado mesmo que isso tenha custado a minha liberdade.


 J. Augusto