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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Versos DJA_Lady


Sim, os sorrisos são falsos.

As lágrimas são falsas.

Tudo é falso. As palavras, os beijos, as cartas, as músicas.

Eu nunca quis ser um anjo.

Nada disso faz sentido.

Deus, estou cansado de me esconder atrás do sol.

Me deixe viver. Me deixe provar que há sinceridade

nos sentimentos humanos.


DJA_Lady






Versos DJA_Lady




Algumas pessoas sonham em se tornar anjos.

Desejam ser criaturas perfeitas, que vivem em paz, harmonia, e não tenham motivos para sofrer.

Posso ver todos os sonhos das pessoas.

Mas esse eu realmente não entendo.

Meu maior sonho é me tornar humano. Poder amar, sorrir e pedir perdão pelos meus erros.



Enfim, temos algo em comum. Ambos jamais estaremos satisfeitos com o que somos.



DJA_Lady



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O espectro na tempestade


O espectro na tempestade

Era uma noite de dezembro, não recordo o dia. O vento violento trazia a previsão de uma tempestade. No céu não se viam estrelas, nem mesmo a lua, apenas nuvens pesadas, densas e escuras. Lá fora o portão batia, as correntes arrastavam em um balanço convulsionado, cachorros latiam ao longe, pedaços sem forma de metal eram jogados com violência de um lado para o outro. Os galhos do velho carvalho batiam descompassadamente no vidro da janela.
Eu estava deitado de costas na cama, parcialmente coberto com um lençol, atento a cada som que provinha de fora. Não conseguia dormir, e não tinha nada para fazer, uma vez que o abastecimento de energia havia sido interrompido. Todos na casa dormiam, afinal, já passava das duas horas.
Tive a impressão de ter ouvido um gemido, um grito, não sei ao certo. Esperei atento por um momento até ouvir novamente. Dessa vez estava claro, era um grito. Mas não era um grito qualquer, parecia o som de várias vozes, gritando de uma sala metálica. Um som robótico, um brado retroativo, cibernético.
Na terceira vez, tive a certeza de que não era somente a minha imaginação. Era um grito de dor, de medo, uma queixa assustada, um choro, um chamado. Pensei ter escutado meu nome. Uma voz aguda, profunda.
Após alguns instantes, tive a sensação de que aquelas vozes eram de pessoas que estavam lá fora, no pátio. Mas claro que isso não seria possível. A ventania não cessava.
De repente as correntes, o portão, os latidos, e até mesmo um sino que eu não havia percebido até então, criaram uma melodia em meus ouvidos. As vozes sincronizaram-se e cantaram em uníssono. Mas ainda assim eu não compreendia.
Até os galhos do carvalho passaram a bater compassadamente no vidro da janela. Batiam, arranhavam, pediam para entrar. E no meio dessa música macabra eu escutei meu nome. Não era a voz de minha mãe, ou de meu irmão. Eram as vozes daquele coral horrendo que por mais improvável que parecesse, só poderia estar no pátio de casa.
Levantei-me com calma, e me surpreendi ao ver o lençol caído no chão à frente da cama. Não me lembrava de tê-lo deixado cair. Fui até a janela e levantei a tranca. Ao erguer a estrutura, o vento me golpeou com força, e repentinamente a música se transformou em um grito agudo, mortificante, insuportável. Ao me recuperar do golpe violento, fechei a janela e alguns galhos do carvalho caíram no chão do quarto.
Para minha surpresa, aquele ruído horripilante extinguiu-se como que por mágica e eu voltei a escutar a melodia que tanto me intrigava. Ao observar o cenário veemente que se formara lá fora, logo percebi um espectro próximo ao portão, do lado de dentro do pátio. Parecia estar sentado em um balanço, mas não existia balanço algum ali. Não se movia, mas o vento açoitava suas longas vestes brancas enquanto devaneava melancolicamente olhando para minha janela. Sentia-me um pouco assustado, mas não conseguia parar de encarar aqueles olhos soturnos.
Não sei como explicar aquela minha visão. Não existe descrição para aquela criatura pálida, serena, mortificada.
De repente uma penumbra desceu sobre o espectro e rompeu em uma explosão silenciosa. A música cessou, a sombra consumiu o fantasma como um feitiço. Novamente eu escutava os galhos do velho carvalho.
Eu despertei, deitado de costas na cama. Respirei fundo e senti gotas de suor rolarem pela minha testa. Sentei na cama e vi a água escorrer pelo vidro da janela. Começara a chover. Levantei-me e fui até lá com a esperança de rever a criatura que havia me chamado. Não tinha nada além dos aspectos comuns de uma tempestade. Virei-me e vi o lençol no chão, caído em frente à cama. Achei aquilo curioso. Deitei-me e comecei a escutar com atenção a cada som, até adormecer novamente.

DJA_Lady



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tears of sky

Tears of sky


Here it rains outside.
It's windy.
It's cold out here.
And here I can see
How much are you afraid of life.

And even when protected
I can see you slowly melting...
I see dissolving your skin, your colors streaming
The sky is crying ...
And reveals what does not fade with the rain.

His stone heart
Hardened by life
Insists remain so
To not get hurt
No more, no more...

But you do not know...
Inside he is still alive
And these tears
That flow with your face
Didn't are tears from sky.

DJA_Lady


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Versos - DJA_Lady

"There are times that insist on not leaving our mind." ¹

DJA_Lady

¹ "Há momentos que insistem em não sair da nossa mente."




Meu anjo atrevido

Meu anjo atrevido


Tu me envolve em teus braços
Teu corpo, tão próximo, parece estar em chamas dentro de mim
Não resisto, me entrego em teus abraços
Dançando neste sensual movimento
Dois corações, ora no ritmo da melodia que os acalenta,
Ora acelerados em um descompassado batimento

Enlouquecendo a cada movimento
Me embriago ao sentir teu cheiro
Teu olhar me faz queimar internamente
Tua boca, ah! tua boca...
Cada vez que tuas mãos me tocam
fazem meu corpo estremecer, minha pele arrepiar,
meu coração acelerar...

E nesse desejo que me consome, desperto em suspiros,
pensando em meu anjo atrevido
Oh, estrela da noite, veja minha agonia
Meu corpo e minh'alma suplicam
Ajude-me a reencontrar esse sonho


DJA_Lady



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Versos - DJA_Lady

"Veja meu amado, veja.
Tudo nesse mundo tem fim.
Todo prazer é seguido de dor.
Todo sofrimento é causado por um amor.
Venha meu amado, venha.
Aproveitemos a chance de sermos felizes.
Já estamos perdidos nesse sentimento.
E ficar longe de ti será meu tormento.
Possua-me meu amado. Possua-me.
Desejo sentir o calafrio entusiasmante
Provocado por tuas mãos, meu caro amante.
Possua-me meu amado, sem medo.
Pois nosso caso logo terá um final.
E nosso destino será fatal."

DJA_Lady




Amor, amor

Amor, amor.
Este não é um sonho qualquer. Venha!
Esta criatura que me domina tem garras fortes.
Mas não machucam meu corpo. Fazem calafrios percorrerem por todo ele e terminarem em gemidos de prazer.
Possui olhos flamejantes que só fazem aumentar o seu mistério e domínio sobre mim. Não são de maldade, mas de desejo.
Suas presas cravam-se em minha pele, mas não se enchem de sangue. Meu grito estridente não é de dor, mas de prazer. A adrenalina percorre minhas veias e me excita.
Suas grandes asas de couro se erguem sobre mim. Não sei se aliviam ou alimentam mais esse fogo.
Não vá amor, amor. Me leve junto nesse vôo. Seja qual for meu destino, quero que seja ao seu lado. Em ti. Contigo.
Mesmo que seja nosso último vôo juntos. Mesmo que seja um sonho.
Me leve, amor, amor.

DJA_Lady


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Águas serenas

Águas serenas


Nestas águas foram sepultadas minhas lágrimas.
Amargas lágrimas de solidão
Nelas foi sepultada minha esperança.
Que apenas machucou meu coração.
Estas límpidas águas
Refletem uma pálida imagem.
Imagem de um ser que há muito já morreu.
Nestas águas serenas
Foi sepultada uma história.
Uma história de amor.
Uma despedida.
Um corpo.
Minha vida.

DJA_Lady



domingo, 16 de setembro de 2012

Passeio sem volta

Passeio sem volta


Vick era uma garota apaixonada pela noite. Os sons, as sombras, o céu, e todos os seus aspectos a fascinavam. Gostava de sair apenas para refletir e contemplar a beleza do luar e das estrelas no silêncio das noites.
Em uma dessas noites, estava sentada em uma calçada, a alguns quarteirões de sua casa, quando viu alguém se aproximando. Após alguns segundos analisando, pode concluir que era um rapaz jovem, e que vestia um moleton, calça jeans e usava tênis. Andava tranquilamente de cabeça baixa, como que esquadrinhando cada passo. Vick desviou o olhar e o sujeito sentou ao seu lado.
Ficaram ali, parados em silêncio, durante um tempo, olhando para o céu e ouvindo alguns sons distantes.
- É linda não é? – comentou a garota.
- É. Fascinante.
Falaram essas palavras sem desviar o olhar da lua em seu esplendor. Mas a voz daquele rapaz chamara muito a atenção de Vick então ela resolveu olhar para seu rosto. Era de uma pele clara, quase branca, e delicada, tinha olhos concentrados e uma expressão séria, mas não rude, e sim natural. Tinha cabelos pretos que contrastavam com sua pele, mas combinavam com seus olhos, negros e profundos.
- Qual seu nome? – perguntou enfim.
- Jay. James, mas pode me chamar de Jay.
- Meu nome é Vick.
- Eu sei.
- Sabe? Como?
- Não importa.
Ela não conseguia parar de olhar para o garoto, que por sua vez, ainda olhava para cima com ar despreocupado. Parecia bem enigmático e era atraente demais para nunca tê-lo notado. Por impulso ela passou a mão nos cabelos dele, e sentiu uma sensação maravilhosa, inexplicável, mas logo a retirou e, tímida, abaixou a cabeça olhando para o chão a sua frente.
Após mais alguns instantes em silêncio, Jay a convidou para um passeio, e juntos caminharam aparentemente sem rumo. A jovem estava se sentindo atraída por aquele rapaz estranho, e achava que isso seria divertido.
- Onde você mora? – perguntou ela.
- Você vai descobrir logo.
- Você é bem misterioso.
- Gosta de aventura?
- É um convite?
- Não, uma intimação.
O sorriso descontraído e a piscadela de Jay fizeram os olhos de Vick brilharem enquanto andavam lado a lado, olhando um para o outro.
Em certo momento, andavam por uma rua que se encontrava deserta e quase não tinha iluminação uma vez que estavam no interior, em uma região pouco habitada. Entraram no pátio de uma velha casa abandonada e seguiram por um estreito corredor ao lado da residência que levava aos fundos do terreno.
Era madrugada, mas a resplandecência da lua em sua fase cheia, permitia ver que o gramado era bonito. A única coisa que existia no centro dele era um grande poço redondo. James foi até lá e apesar do poço estar descoberto, se escorou na beirada dele. Vick fez o mesmo, e naquele instante pode visualizar a parte de trás daquela casa abandonada. Era realmente muito velha e havia sofrido os efeitos do tempo, que aparentava ser de muitas décadas. Mas não foi isso que mais chamou a atenção da garota, e sim o símbolo pintado por toda sua frágil parede de madeira. A pintura era enorme e também parecia antiga.
- Quem fez isso?
- Esta casa era de meu avô. Ele havia perdido os seus pais muito jovem. Não tinha parentes próximos aos quais pudesse pedir ajuda, então viveu o resto de sua vida aqui. Foi ele quem fez a pintura. O pentagrama invertido com a imagem de Baphomet era o símbolo da Igreja de Satã, de Levi. Meu avô veio a se tornar satanista depois que conheceu uma garota no bar onde trabalhava. Eles tiveram apenas um filho, o qual meu avô criou até se tornar um adolescente. Conforme a história, meu avô matou a namorada após o nascimento de meu pai, ensinou tudo o que sabia a ele, e mais tarde cometeu suicídio. Sozinho no mundo, meu pai continuou a morar nesta casa e a praticar o que meu avô lhe ensinou. Conheceu uma garota que nem ele e tiveram um filho. Minha mãe morreu um tempo depois, mas não se sabe o porquê. Três anos atrás meu pai se suicidou, e aqui estou eu, na casa condenada. Diz-se também que este poço guarda muitos segredos.
- Então você também se tornou satanista?
- Não é uma questão de se tornar. É uma questão de ser. Somos todos filhos de uma mesma divindade.
Vick ainda olhava deslumbrada para a pintura na casa, quando Jay apareceu na sua frente e se aproximou dela. Enfim eles se beijaram, e a garota então percebeu como estava quente ali. James interrompeu o momento:
- Quero que conheça a minha família.
Ela ficou surpresa mas não houve tempo para falar. Sentiu o corpo do rapaz pressionar o seu até se desequilibrarem e caírem dentro do poço. A última coisa que ela viu foi a lua, lá no alto, que parecia brilhar mais do que nunca.

DJA_Lady


Versos - DJA_Lady

Eu preciso de você aqui.
Não importa como.
Só preciso de você
Aqui: para mim, comigo, em mim.
Somente tua nobre alma pode acalmar a minha.
Somente você pode saciar minha sede.
Sem preconceitos.
Eu preciso que você tome conta de mim.

DJA_Lady


Cova, profunda cova

Cova, profunda cova,
Que guarda tão tenro corpo.
Corpo que um dia me pertenceu.
Céu, distante céu,
Que levou tão pura alma.
Alma que um dia esteve presa à minha.
Lágrimas, amargas lágrimas
Que escorreram pelo seu rosto.
Rosto que um dia tocou o meu.
Palavras, tristes palavras
Que saíram de delicada boca.
Boca que um dia beijei.
Ó cova, tão profunda cova.
Finalmente minha amada,
Meu corpo junto ao seu,
Minha alma junto à sua,
Novamente.

DJA_Lady


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Versos - DJA_Lady

A dor que me fere
É a mesma dor que me dá prazer.
Crave suas garras em mim.
Tome meu corpo.
Leve-me, Santa Morte.
Minha dor és tua.

DJA_Lady


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O que é o amor afinal?


O convívio com um desconhecido chamado AMOR foi mortal.
Um estranho, que me causava temores.

Hoje não me afetam mais.
Todo o sofrimento,
Toda a dor e angústia que ele pode causar.
Foi preciso muita força mas hoje o medo acabou.
Destruí quem estava me destruindo.
Matei quem estava me matando.
E agora, vejo refletido nesse sangue, a pergunta que não cala:
O que é o amor afinal?

DJA_Lady



sábado, 9 de junho de 2012

Natal Sangrento

Natal Sangrento


Meu nome é Lucius Bleckwell. Sou um advogado criminalista. O caso que vou relatar comprova, como disse alguém, que a verdade é mais absurda que a ficção.
Naquela manhã ensolarada de dezembro tudo estava tranquilo e aparentemente normal, até que o guarda que fazia ronda diária no parque central durante a madrugada, apareceu pasmado na delegacia, quase sem fôlego para falar.
Depois da ocorrência, o delegado e dois de seus investigadores se dirigiram para o parque para analisar o caso. Ao se depararem com a cena horrenda, confirmaram o que o guarda havia relatado. Um crime macabro e misterioso, aparentemente sem pistas, apenas um rastro de sangue e muito mistério.
Assassinato. Estupro seguido de assassinato. Foi o resultado indicado pela autópsia. Depois do exame a família da vítima foi encontrada. A cena digna de um filme de terror deixou todos apavorados.
O assassino cuidou de quase todos os detalhes, porém, a vítima deixou uma pista salva em seu computador. Aquele menino inteligente que era a pérola da família, o filho preferido que adorava estudar e era dedicado ao trabalho, tinha segredos a esconder de todos. Não tinha muitos amigos na escola nem na vizinhança mas era muito próximo de seu amigo virtual, como comprovavam os arquivos salvos no sistema.
O relacionamento havia começado dois meses antes do crime, sem ninguém saber de absolutamente nada, é claro. Ao contrário do que os pais corujões pensavam, as noites acordado em seu quarto não eram dedicadas aos livros, mas sim à sua paixão virtual que adorava umas conversas picantes online, com o auxílio de uma câmera.
De um dia para o outro, o filho prodígio da família se tornou a vergonha, a decepção completa de todos, porém o acontecido ainda não era real, parecia um pesadelo macabro, uma tortura psicológica e emocional sem fim.
Além da descoberta do homossexualismo do filho, os pais tiveram ainda outra surpresa: o jovem era satanista. Foi isso que o possibilitou conhecer sua paixão e futuro assassino.
Os arquivos salvos mostraram que o encontro era previsto para a noite de natal, mas resolveram adiantar a tão esperada noite.
Conforme os detetives do caso avançavam nas investigações, iam descobrindo que as relações iam além do mundo virtual, e que não eram apenas amorosas, mas tinham muito a ver com o crime e seus pactos satanistas. (Nada mais picante não é mesmo?)
Quanto mais se aprofundavam no caso, mais próximos ficavam do assassino, e de detalhes que surpreendiam cada vez mais.
Os investigadores encontraram o local onde eram realizados encontros e reuniões coletivas de jovens satanistas que faziam seus pactos, se relacionavam e realizavam sacrifícios. Lugar bem escondido, mórbido, digno de filmes de horror. Muito sangue, animais mortos, muitos já em decomposição e até cadáveres humanos marcavam o local que, não por acaso, localizava-se nos fundos de um cemitério. O doce e angustiante aroma de morte caracterizava o caso desde o início.
Todo esse clima tenebroso e macabro explicava, em parte, o fato de o corpo do jovem ter sido encontrado dilacerado, com os olhos para fora das órbitas, cabeça raspada, testículos cortados, costas em carne viva, uma verdadeira cena de filme tétrico.
Apesar de todo esforço e trabalho nas investigações, nem mesmo as testemunhas do caso, não levaram a nenhum resultado. Foram várias descobertas mas nem os investigadores mais especializados não conseguiram encontrar o assassino. Era um psicopata profissional no mundo do crime.
Acompanhei este caso sem ter a mínima ideia de que seria o primeiro de muitos. O assassino a serviço de Satã ainda faz vítimas, mas é indomável e sua técnica é boa pois até hoje ninguém chegou perto de o pegar.
Um caso mais terrível que o outro, todos arquivados por falta de resultados. Estupros, assassinatos e o aroma de morte que ainda percorre o parque. Os jovens seguidores do capeta andam soltos por aí, atrás dos rostinhos mais angelicais.


DJA_Lady


Conto - DJA_Lady


Era uma garota notavelmente diferente das outras. Seu jeito de olhar, de andar, seu estilo, mostravam sua peculiaridade sinistra. Seu olhar era ameaçador, mas simultaneamente manso. Todo seu mistério me encantou e os traços daquele rosto profundo cravaram-se em minha memória.
Tentei me aproximar e conversar com ela mas era uma pessoa muito fechada e quase não falava. Foi difícil o contato mas consegui fazer com que me contasse um pouco sobre sua história.
Foi uma menina exemplar, esforçada e dedicada mas se sentia excluída e ignorada por todos. Passou pelo início de uma depressão e tentou se matar já que não sabia como acabar com sua família. Seus pais eram autoritários e grosseiros. Dizia que sua vida era uma merda e que não prestava para nada. Consideravelmente comum para uma adolescente.
Mas havia algo naquele coração de pedra que a oprimia. Algo muito misterioso e profundo que refletia naquele olhar amortalhado. Impossível saber se a amedrontava ou a confortava. Se era seu veneno ou seu elixir.
Tentei saber mais sobre sua vida, conhecer sua personalidade, mas ela se tornou evasiva e não contou mais nada. Ofereci-lhe uma bebida, mas ela recusou. Porém vi que seu olhar começou mudar aos poucos com relação a mim. Apesar daquela aparência meio mórbida, a sua voz suave e os seus olhos penetrantes estavam me seduzindo em um misto de paixão e excitação. Até que surgiu um momento oportuno e eu a beijei. Ela hesitou no início mas depois pareceu gostar. Aquela garota me surpreendia e me encantava cada vez mais. Percebi que não era muito romântica. Recuou quando tentei pegar em sua mão. Mas não deixei assim e resolvi convidá-la para sair daquela festa entediante. Ela de pronto aceitou e fomos de carro até minha casa, uma vez que meus pais estavam ausentes.
Pedi que ficasse á vontade, mas ela permaneceu em pé no meio da sala. Aproximei-me dela e a olhei fixamente. Ela fez o mesmo. Colei meu rosto no seu e senti sua respiração suave, quase imperceptível. Logo a beijei. (Ah, aquele beijo indescritível!) Logo possuímos um ao outro e fomos para a cama. Após o momento de intenso prazer, meus sentidos foram anulados e eu apaguei.
Sonhei com aquela pele aveludada, com aquele olhar profundo, com aquela voz sussurrante e me ausentei totalmente da realidade. Ao acordar, procurei por aquele anjo misterioso, porém ele não estava mais lá. Entretanto o seu cheiro permaneceu impregnado no meu corpo, na cama, no ar.
Eu sabia onde procurá-la uma vez que ela ficava todos os dias no mesmo lugar, sentada, sozinha. Todavia, desta vez ela não estava. Fiquei por lá mesmo pensando naquela garota que se acorrentou à minha alma, e percebi que havia me esquecido de perguntar seu nome. Nem ao menos sabia a sua idade, apesar de notar que não passava dos dezoito anos. Ela era com certeza, inesquecível e eu, não estava apaixonado, e sim seduzido por aquela alma.
Permaneci sentado naquele lugar por um tempo até que vi pétalas de uma rosa no chão. Uma rosa rubra, cor de sangue, despedaçada e jogada ao vento. Juntei aquelas pétalas e senti nelas, o mesmo cheiro, o mesmo aroma que tomara conta de mim naquela noite. Decidi voltar pra casa, e levar os restos da flor comigo. Nem imaginava eu a surpresa que me aguardava.
Ao ligar a tevê o pavor se apossou de mim. No momento exato entrara o plantão de notícias relatando que um guarda noturno havia encontrado uma jovem recém morta em um cemitério por volta das cinco horas da madrugada.
O guarda contou que viu uma pessoa cruzar a rua e adentrar no cemitério. Achou aquilo estranho e resolveu ir até lá para ver do que se tratava. Encontrou a menina morta sobre um túmulo, com um corte profundo no pescoço, e ao seu lado a faca usada para isso.
Aterrorizado, voltei para o meu quarto onde ainda podia sentir aquele aroma agridoce. Contudo, as lembranças se tornaram fantasmas, demônios oprimindo minha alma. Não conseguia mais ver o rosto do meu anjo negro. Ela se tornou apenas uma sombra vaga e indefinível, uma imagem retorcida e sem forma.
Atormentado, pensei em ir até o local do suicídio, e decidido, cheguei onde queria.
No lugar onde jazia o corpo da amada, algumas manchas de sangue e o cheiro da morte digno do ambiente donde escrevo agora.


DJA_Lady


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Versos - DJA_Lady


Meia - noite.
Sem sono.
Ouço vozes.
Todas falam ao mesmo tempo.
Palavra nenhuma é inteligível.
Ouço golpes de machado.
Um corpo.
É um corpo.
Sinto cheiro de sangue.
Ouço a doce risada da morte.
Amiga ou inimiga?
Falsa ou sincera?
Ela sorri sarcasticamente para mim.
E me oferece um banquete.
Mas aquela carne...
Aquele vinho...
Ainda me recordo do machado.
E as vozes.
Meus amigos.
Todos vieram para o banquete.
Mas e as chaves?
As correntes?
Há correntes em seus corpos.
Grades.
Fogo.
E o olhar ameaçadoramente amigo da morte.
Angustiante?
Não para quem não tem coração.
Gritos. Corpos. Fogo. Grades. E o machado.
Meus olhos brilham. A morte sorri para mim.


DJA_Lady 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Anjos negros


Anjos negros


Cidade grande.
Pessoas normais.
Madrugada fria.
Três horas.
Enquanto os humanos normais descansam em um sono tranqüilo, nós, as criaturas da noite, começamos a nossa jornada.
Os astros nos inspiram a viver.
Somos as aves negras que rondam as praças na noite.
Nosso prazer é saciado à luz do luar, nas calçadas, cemitérios...
Nada de histeria.
Sentidos aguçados.
Nada de vozes.
Apenas sussurros e ecos dos lobos que uivam intensamente para a lua.
Os anjos da noite estão soltos.
A imagem de seus rostos é retorcida.
Seu olhar é profundo como aquele velho poço.
Águas rubras. Paradas. Mórbidas.
Impossível definir se são anjos ou demônios.
Demônios que não fazem mal nenhum.
Não cometem crime algum perante a lei.
Mas seus hábitos são uma heresia diante do olhar crítico da sociedade hipócrita.
São apenas sombras, vagas, sem forma.
Almas. Almas oprimidas que vagam pela noite refletindo as trevas como um espelho infinito.
Almas doentes. Amarguradas.
Almas que usam corpos para ter a chance de sentir o ar puro e fresco da noite.
Almas que saciam a fome de liberdade enquanto a cidade dorme.
A lua.
A lua é sua única testemunha.
Seres solitários que não amam.
Mas choram.
Choram pela dor de serem humanos.
É seu pior castigo.
Seres solitários que andam sem rumo.
Sem restrições. Sem limites.
Lábios e mãos banhados em seu próprio sangue.
Prazer e dor. Perfeição.
Nas ruas. Nas calçadas. Nas praças.
Na noite.
Anjos negros que não têm asas.
Se tivessem poderiam voar.
Mas vagam. Vagam pelas ruas à noite.
Mas ainda são humanos. E o dia recomeça.
Voltam a fingir que são pessoas normais.
É a rotina dessas pobres almas.
Até que a morte os liberte de uma vez.


DJA_Lady