domingo, 27 de outubro de 2013

Houve um tempo feliz!
Um tempo que me permitia correr pelos campos Elísios 
Sem medo dos espinhos nos roseirais
Ou o vespeiro na macieira.

Um tempo em que os rouxinóis cantavam
Cantavam hinos, verdadeiras sinfonias
E as andorinhas, estas nunca voltavam
Já que nunca partiam.

Um tempo que cada noite
Cada luar
Bailavam estrelas cadentes
Numa eterna chuva dourada.

Houve um tempo feliz!
Eu era feliz
Mas a verdade surgiu em meios as minhas ilusões
Tão destruidora e tão libertadora.

Eu era feliz
Até deixar de ser cego!


 Jonny Augusto


Peço desculpas se o meu amor não foi o suficiente
Se o meu carinho não era bom
Peço desculpas por ter entrado em sua vida
Assim, sem jeito, sem força
Peço desculpas por não ter sido quem você quis
Nem como ou quando você queria
Peço desculpas por ter sido o inconveniente 
Aquele que não foi chamado e nem querido por todos
Peço desculpas por ter feridas incuráveis
E ser fraco ao te procurar
Peço desculpas por ter sonhado
Acho que a realidade não me satisfez
Peço desculpas por tudo isso
Pelo abraço, pelo beijo e pelas estrelas.


 Jonny Augusto


domingo, 5 de maio de 2013

Versos

[...]
Dei-te um beijo - despertaste,
Teus cabelos afastaste
Fitando os olhos em mim...
Que doce olhar de ternura!
Eu só queria a ventura
De um olhar suave assim!

- Fantasia, Álvares de Azevedo


Versos

[...]
Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro...

Meu desejo -  Álvares de Azevedo


domingo, 10 de março de 2013

Lembrança de Morrer

Lembrança de Morrer


Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!  

Álvares de Azevedo




Citações

"Corações são frágeis. E acho que mesmo quando a pessoa se cura, ela nunca mais volta a ser como era antes.”

- Cidade dos Anjos Caídos.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Citações


“Ninguém deve saber que meu coração e minha mente estão sempre em guerra um com o outro.”

— Diário de Anne Frank.